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História “O Lobo Guloso" ou "O Meu Belo Bolo"


Em tempos antigos, uma vasta mata cobria estas serras (de São Bento). Por entre as pedras, era densa a vegetação e os lobos e outros animais selvagens por ali vagueavam e atacavam as rezes (vacas e ovelhas), que por ali pastavam, caso os seus donos não se precavessem (não tomassem conta).

O povo das serras sempre foi alegre e essa alegria era, e ainda é hoje, manifestada em bailes. No encanto da serra havia um tocador de acordeão que era requisitado para tocar em casamentos. la de véspera para atravessar a serra e levava a noite inteira para chegar ao destino. O meio de transporte eram as suas pernas e o acordeão servia-lhe de companhia. No regresso seguia o mesmo carreiro (caminho), que por muito pisado, se distinguia dos cascalhos e arbustos. Tanto na ida como na vinda ele ouvia uivar os lobos, mas aventurava-se serra fora... era forte e não vacilava porque, dizia, os lobos haviam de o deixar passar.

Certo dia, aconteceu, no regresso de um casamento, o que não estava à espera, viu-se acompanhado por um lobo, que por vezes, se atravessava à sua frente, mas sem o atacar. O homem pensou e pensou numa forma de afastar o lobo, não fosse ele atacá-lo. Então, lembrou-se que trazia consigo um pedaço de bolo que os noivos lhe tinham oferecido e resolveu experimentar a dar um bocadinho ao lobo. Então, partiu-o e atirou-lhe um pedacito, que o lobo comeu de imediato, mas continuou a seguir o homem. Este foi partindo o bolo aos bocadinhos e atirando-lhe, mas quando o bolo estava a chegar ao fim, o homem já dizia mal da sua vida, pois a viagem ainda não tinha terminado e não sabia o que fazer. A certa altura lembrou-se do acordeão que trazia às costas, começou a tocar, no silêncio destas serras... O Lobo amedrontado (assustado) fugiu e sumiu-se por entre o emaranhado de matos que cobriam a serra e nem rasto dele. О tocador lamentou a perda do bolo "Ai o meu rico Bolinho! Mas se soubesse...teria feito isto há mais tempo!".

Tal estratagema serviu-lhe no futuro quando ia a outros casamentos em que era convidado para tocar na festa. Tocava acordeão que, pela calada da noite, o guardava dos lobos e seguia descansado o seu caminho.

Publicado por: Freguesia de São Bento - Porto de Mós

Publicado em: 13-05-2026

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